Quebrando paradigmas e preconceitos com o estudo on line.

Quando eu ouvi falar no ensino a distância pela primeira vez, fiquei bastante descrédula. Achei que as questões problemáticas da educação formal – presencial poderiam se agravar ainda mais com a suposta ‘frieza e impessoalidade’ do mundo virtual. Depois, fui percebendo as possibilidades que o ensino a distância poderia proporcionar, ainda mais num país de dimensões continentais como o nosso. Pensei que esta seria uma aposta na democratização do ensino, uma vez que são possibilitadas formas de estudo mais flexíveis, permitindo que as pessoas que não poderiam, por diversos motivos, frequentar um ensino superior, tivessem acesso.

É verdade que a qualidade desse tipo de formação ainda está sendo examinada, avaliada, etc. É tudo relativamente novo e ao mesmo tempo promissor e até sem volta. Como tudo que é novo, é preciso ser sonhado e estruturado de outra forma, por outros meios. Na verdade, para mim,  o grande achado da educação on line é a construção em comunhão do conhecimento. Isto é, a aprendizagem, no ambiente virtual, é também proporcionada pelo grupo. As pessoas são as responsáveis pela construção do conhecimento dentro do universo virtual; o professor está mais para um facilitador e mediador destas relações. Ele não é o único atuante e de onde todo conhecimento emana.  Aprender, no EaD, deve ser visto como algo amplo, que pressupõe trocas, interações, etc. Aprender em grupo significa ler a realidade com criticidade, assumir uma atitude investigadora; representa uma abertura para as dúvidas e para as novas inquietações. Mesmo que uma aprendizagem reflexiva (ética e estética, conforme Paulo Freire) seja algo também presente na educação presencial, parece que, no mundo virtual, esta característica se torna quase imprescindível para a realização do ensino e de uma aprendizagem de sucesso.

Um bom aluno virtual, por tudo o que o ensino a distância implica, deve possuir certa autonomia; isto é, deve querer e não temer conhecer as ferramentas de estudo oferecidas; deve se aventurar na plataforma (AVA) que seu curso está atrelado. Para tanto, ele precisa ter acesso a um computador e a um modem de alta velocidade e saber como utilizá-lo. Ele não teme e não deve temer compartilhar um pouco de sua vida com os outros colegas, criando um perfil adequado, que expresse seus anseios em relação ao curso, compartilhando suas experiências educacionais, dados interessantes que contribuam para a construção do conhecimento, auxiliando os outros com dicas, apoio, etc e também pedindo ajuda.

Desse aluno virtual é esperada uma capacidade de auto-organização, disciplina, que ele despenda parte de seu tempo para se dedicar aos estudos. Como nem todo mundo tem essas qualidades já bem estruturadas, um curso on line pode ajudá-lo a se aprimorar neste sentido, tornando-se cada vez mais autônomo. Mas, para o desenvolvimento da autonomia, ele deve estar conectado com sua comunidade virtual, deve se fazer presente para os outros que compartilham com ele a aprendizagem. Ele se torna responsável pela produção de seu conhecimento juntamente com os materiais que estão disponíveis, com os professores, tutores e demais pessoas envolvidas.

Em função disso, os estudos vêm demonstrando (PALLOFF; PRATT, 2004, KENSKI, 2007) que o aluno virtual pode desenvolver ainda mais sua capacidade reflexiva: ele não é um mero receptor, ele é ativo e responsável por sua aprendizagem e pelo desenvolvimento do próprio curso que participa.

Mesmo que você, enquanto aluno, já tenha consciência de tudo isso, a novidade do ambiente virtual e seu uso como método de estudo exigem algumas adaptações e a criação de um ritmo, por isso, elencamos algumas dicas bem pontuais formuladas por Palloff e Pratt (2004), para ajudá-lo a concretizar seus estudos e para que os esforços não sejam em vão. Vamos lá:

  • Conecte-se a seu curso pelo menos duas vezes por semana ou mais.
  • Procure estar em dia com as mensagens / discussões nos fóruns. Lembre-se de que sua contribuição, participação e opinião são muito importantes.
  • Seja responsável pela sua aprendizagem e se planeje para ser um aluno independente. Não espere que o professor ou tutor lhe dê toda a informação e orientação. Vale fazer uma agenda, um caderno ou arquivo para seus estudos e compromissos do curso.
  • Faça uma pasta do curso para salvar os textos e demais materiais. Faça uma lista de favoritos no seu computador com possíveis blogs, sites e demais informações que poderão auxilia-lo. Procure fazer uma pasta no seu e-mail pessoal para salvar os e-mails do curso, separando-os dos demais. Esteja preparado para a quantidade de tempo que as atividades irão lhe tomar.
  • Esteja em dia com suas leituras e tarefas. O acúmulo de estudos / leituras pode ser desestimulante!
  • Entregue seus trabalhos e tarefas no prazo estipulado.
  • Procure estar inteirado em suas leituras e pesquisas; procure fazer análises e pensar com criticidade nas informações que busca. Aprenda a pesquisar. Lembre-se de divulgar informações de pesquisas elaboradas que possam agregar conhecimentos aos demais. Compartilhe!
  • Confie em seus colegas e seja responsável com eles;
  • Caso você se sinta perdido ou confuso, não tema: PERGUNTE!
  • Peça apoio a sua família e amigos. Compartilhe com eles que você precisará de tempo e calma para se dedicar aos estudos;
  • Por outro lado, trabalhe sua flexibilidade e paciência, nem sempre as coisas saem como o planejado. Lembre-se de que você está em uma situação nova, que envolve uma nova maneira de aprender;
  • Veja a aprendizagem on line como algo dinâmico e estimulante. Você não aprenderá apenas somente sobre o material que estiver estudando, mas também sobre o uso da tecnologia e como o uso da mesma pode modificar o modo como você aprende e interage.

Lembre-se de aproveitar esta oportunidade. No fundo, a educação a distância vem ao encontro de nossos desejos mais primordiais, o desejo de comunicação, de aprender, conhecer, de ter novas perspectivas e horizontes!

Contem conosco!

Abraços.

Fabiana – Equipe Raiz

FONTES:

KENSKI, V. Educação e tecnologias: o novo ritmo da informação. Campinas: Papirus, 2007.

PALLOFF, R. M.; PRATT, K. O aluno virtual: um guia para trabalhar com estudantes on line. Porto Alegre: Artmed, 2004.

A imagem acima foi retirada do site: http://9gag.com/gag/aYpoRE2?ref=fbp

 

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Comments
  • estou tendo ja a experiencia do curso de biossintese e posso dizer que foi bastante animador pelo fato de ter que desenvolver uma metodologia de estudo , criar obrigações de leitura e ter que me organizar no computador para manter frescas as informações que chegam que são muitas.
    é diferente ter a presença de colegas e professor para dividir , escutar, questionar e debater em tempo real , mas tudo é bom, e se esse é pra ser assim que seja da melhor maneira.

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