O espaço sagrado da relação

Imagem, “O Casal Arnolfini”, de Jan Van Eyck (1434)

A palavra casamento, que vem do latim casametum significa “terreno com uma habitação instalada”. E a partir disso, é possível pensar e associar que, desde o primeiro instante da fecundação, o homem busca um território. Sem um território, sem o espaço não é possível existir; não é possível se conectar e nem se nutrir e se desenvolver. A parede do útero é o primeiro lugar assim como a própria terra – nem que seja a terra do fundo do mar – foi o primeiro lugar para as formas de vida. E é por este caminho que buscamos relacionar o casamento com a procura por um novo território de renascimento, muitas vezes representando a chance de recuperar a alegria perdida no território da infância e da adolescência. Pensando que essa alegria é o conteúdo de nossa essência, de vida, de vitalidade.

Num casamento que foi desenvolvido na base do desejo, há um investimento de muita fantasia; a base desta história é um investimento em imagens idealizadas de felicidade; nesse formato de relação, há muita ilusão, há muita convicção, pois são desejos que carregam o homem ou a mulher de imagens míticas que podem ser seguidas / buscadas a vida inteira mesmo não tendo conexão com a realidade.

O casamento criado pela vontade tem um espaço para o fracasso, para a frustração, ele dialoga com a necessidade de amparo e com os desejos cheios de fantasias, acompanhados por uma consciência que suporta a frustração e o fracasso destes sonhos quando não estabelecidos. Então, o indivíduo que realiza os seus vínculos a partir de suas vontades, não carrega o outro de funções e obrigações e vai desenvolver uma relação em que a individualidade estará preservada (isto é, o campo da individualidade estará preservado).

Um casamento sem conexão com a vontade e com a realidade tem alicerce de areia, o que costuma ser a maior fonte de frustrações e decepções. No casamento ligado à necessidade, há a construção de uma nova caverna como sendo um novo útero; o de desejos, um castelo fantasias e o de vontade busca uma terra fértil para um novo plantio.

A partir do momento que o casal não conhece as bases em que sua relação está sendo nutrida ou desnutrida, as chances desses corpos ficarem pulsantes diminui muito ou fica a serviço da sorte e é possível estar numa história sem contar com a sorte, mas contando com a construção de um discurso que represente a relação e a individualidade.

Susana Zaniolo Scotton

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Olá, sou a Fabiana e sou Coordenadora de Projetos do Instituto Raiz, clínica escola de Psicologia Corporal. Minha formação inicial é em Letras, fiz Mestrado e Doutorado em Estudos Literários. Durante meu doutorado, encontrei a Formação em Psicologia Corporal, cuja proposta casava com o meu tema de pesquisa e, por isso, resolvi cursar. Uma vez no Raiz, eu me apaixonei pelos estudos reichianos, pelas psicoterapias corporais e pelo Raiz como um todo na forma como Susana conduzia e conduz tanto a clínica quanto a escola. Desde que conclui minha formação, por aqui fiquei, contribuindo com os novos projetos. Em 2015, iniciamos o EAD Raiz e fui buscar uma nova formação em Design Instrucional pelo SENAC para dar conta das novas demandas e também pude ver as potencialidades do ensino a distância. Por fim, quero dizer que tem sido uma grande honra ver e participar do crescimento do Instituto Raiz.

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