{"id":5398,"date":"2026-07-30T11:40:53","date_gmt":"2026-07-30T14:40:53","guid":{"rendered":"https:\/\/institutoraiz.com.br\/2024\/?p=5398"},"modified":"2026-07-30T11:41:24","modified_gmt":"2026-07-30T14:41:24","slug":"ha-lugares-que-nos-devolvem-a-nos-mesmos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/institutoraiz.com.br\/2024\/ha-lugares-que-nos-devolvem-a-nos-mesmos\/","title":{"rendered":"H\u00e1 lugares que nos devolvem a n\u00f3s mesmos"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Por Susana Z Scotton<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Talvez o espa\u00e7o n\u00e3o seja apenas o cen\u00e1rio no qual a vida acontece. Talvez ele participe daquilo que nos tornamos. Os lugares da nossa inf\u00e2ncia s\u00e3o marcas presentes na forma como aceitamos ou rejeitamos alguns lugares. Como determinados ambientes nos causam temor ou acolhimento, seja um tipo de ilumina\u00e7\u00e3o, uma janela que se abre a uma paisagem\u2026 H\u00e1 lugares que silenciam o corpo. Outros parecem ampliar nossas defesas. E h\u00e1 aqueles que, quase sem percebermos, nos devolvem uma respira\u00e7\u00e3o mais ampla, uma escuta mais atenta, um corpo mais dispon\u00edvel para o encontro. Lugares nos quais encontramos mais liberdade de ser quem somos; outros que temos que \u201cpisar devagarinho\u201d, como diz a m\u00fasica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa \u00e9 uma quest\u00e3o que atravessa o pensamento de Reich. Afinal, o corpo tamb\u00e9m pode ser compreendido como um espa\u00e7o. Um espa\u00e7o no qual a hist\u00f3ria se organiza, onde as experi\u00eancias permanecem inscritas e a partir do qual estabelecemos contato com o mundo. O car\u00e1ter n\u00e3o se organiza apenas no tempo. Ele tamb\u00e9m se revela na rela\u00e7\u00e3o que estabelecemos com os espa\u00e7os que habitamos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa experi\u00eancia, aos poucos, tamb\u00e9m foi atravessando a nossa maneira de compreender a Forma\u00e7\u00e3o Presencial em Psicologia Corporal. Por isso, nessa Forma\u00e7\u00e3o do Instituto Raiz, a experi\u00eancia na natureza n\u00e3o \u00e9 um intervalo entre as aulas. Ela faz parte do pr\u00f3prio processo formativo. S\u00e3o os chamados Workshops e acontecem duas vezes ao ano ao longo dos tr\u00eas anos da Forma\u00e7\u00e3o e s\u00e3o realizados fora do Instituto, em Hospedagens que propiciem esse contato.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Vamos \u00e0 natureza, n\u00e3o porque ali tenha algo de m\u00e1gico ou ofere\u00e7a respostas prontas, mas porque, em determinados contextos, aquilo que habitualmente sustenta nossas formas de funcionar pode come\u00e7ar a ceder. O ritmo muda. O sil\u00eancio produz outras escutas. O corpo encontra outras refer\u00eancias. E experi\u00eancias que pareciam distantes tornam-se, de algum modo, poss\u00edveis.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A natureza (experi\u00eancia de floresta) nos absorve. Perdemos as refer\u00eancias espaciais e temporais da vida cotidiana e come\u00e7amos a funcionar num espa\u00e7o que requer cuidados com o b\u00e1sico. Nossos sentidos voltam a ficar agu\u00e7ados. \u00c9 preciso perceber o ch\u00e3o que se pisa, cuidar para n\u00e3o se machucar\u2026 perceber a import\u00e2ncia do outro. \u00c9 preciso ajudar e se deixar ajudar. Os pap\u00e9is se invertem, a l\u00f3gica \u00e9 outra. Somos convidados a pensar e ver de outro lugar.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao final, para quem se permite atravessar a experi\u00eancia, costuma permanecer um \u2018cansa\u00e7o\u2019 muito particular. Um cansa\u00e7o que lembra as brincadeiras da inf\u00e2ncia, os dias inteiros passados ao ar livre, a fome verdadeira de quem usou o corpo e o sono tranquilo de quem n\u00e3o precisou sustentar tantas defesas. N\u00e3o como promessa de felicidade, mas como a possibilidade de reencontrar um modo mais simples de existir. Sem que nada disso seja uma promessa de experi\u00eancia totalmente feliz. E trata-se de algo t\u00e3o sensorial e primitivo que sua marca ir\u00e1 transcender o tempo vivido ali para gerar compreens\u00f5es e novos significados vindouros.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Talvez seja por isso que algumas compreens\u00f5es n\u00e3o comecem na teoria, isto \u00e9, na ideia de algo, em sua representa\u00e7\u00e3o. Elas come\u00e7am quando o organismo vive uma experi\u00eancia para a qual ainda n\u00e3o havia encontrado palavras. A teoria chega depois, n\u00e3o para substituir a experi\u00eancia, mas para ajud\u00e1-la a ganhar forma e sentido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por tudo isso, a experi\u00eancia de floresta ocupa um lugar muito importante na Forma\u00e7\u00e3o em Psicologia Corporal e como Reich nos convida a pensar a rela\u00e7\u00e3o entre espa\u00e7o, car\u00e1ter, organismo e maturidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Depois de tantos anos, ainda me parece dif\u00edcil explicar exatamente o que acontece no Instituto Raiz. E talvez essa dificuldade fa\u00e7a parte da pr\u00f3pria experi\u00eancia. H\u00e1 processos que podem ser descritos, mas s\u00f3 come\u00e7am a ser compreendidos quando s\u00e3o vividos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quem sabe seja justamente por isso que continuamos tentando contar quem somos. N\u00e3o para oferecer uma defini\u00e7\u00e3o, mas para abrir um caminho de encontro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>&#8220;S\u00f3 conseguiremos explicar quem somos quando encontrarmos quem \u00e9 voc\u00ea.&#8221;<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Susana Z Scotton Talvez o espa\u00e7o n\u00e3o seja apenas o cen\u00e1rio no qual a vida acontece. Talvez ele participe daquilo que nos tornamos. Os lugares da nossa inf\u00e2ncia s\u00e3o marcas presentes na forma como aceitamos ou rejeitamos alguns lugares. 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