{"id":2965,"date":"2024-10-01T15:01:11","date_gmt":"2024-10-01T18:01:11","guid":{"rendered":"https:\/\/institutoraiz.com.br\/2024\/?p=2965"},"modified":"2024-10-01T15:42:54","modified_gmt":"2024-10-01T18:42:54","slug":"serie-construindo-a-identidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/institutoraiz.com.br\/2024\/serie-construindo-a-identidade\/","title":{"rendered":"S\u00e9rie \u201cConstruindo a Identidade\u201d"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"2965\" class=\"elementor elementor-2965\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-5b84887 e-flex e-con-boxed e-con e-parent\" data-id=\"5b84887\" data-element_type=\"container\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"e-con-inner\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-64b708d elementor-widget elementor-widget-heading\" data-id=\"64b708d\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"heading.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t<style>\/*! elementor - v3.21.0 - 08-05-2024 *\/\n.elementor-heading-title{padding:0;margin:0;line-height:1}.elementor-widget-heading .elementor-heading-title[class*=elementor-size-]>a{color:inherit;font-size:inherit;line-height:inherit}.elementor-widget-heading .elementor-heading-title.elementor-size-small{font-size:15px}.elementor-widget-heading .elementor-heading-title.elementor-size-medium{font-size:19px}.elementor-widget-heading .elementor-heading-title.elementor-size-large{font-size:29px}.elementor-widget-heading .elementor-heading-title.elementor-size-xl{font-size:39px}.elementor-widget-heading .elementor-heading-title.elementor-size-xxl{font-size:59px}<\/style><h2 class=\"elementor-heading-title elementor-size-default\">S\u00e9rie Construindo a Identidade<\/h2>\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-8f8ecfe e-flex e-con-boxed e-con e-parent\" data-id=\"8f8ecfe\" data-element_type=\"container\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"e-con-inner\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-c7c9e46 elementor-widget elementor-widget-heading\" data-id=\"c7c9e46\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"heading.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t<h2 class=\"elementor-heading-title elementor-size-default\">Uma Nota sobre a Identidade<\/h2>\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-0425ab5 e-flex e-con-boxed e-con e-parent\" data-id=\"0425ab5\" data-element_type=\"container\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"e-con-inner\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-7894f1d elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"7894f1d\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t<style>\/*! elementor - v3.21.0 - 08-05-2024 *\/\n.elementor-widget-text-editor.elementor-drop-cap-view-stacked .elementor-drop-cap{background-color:#69727d;color:#fff}.elementor-widget-text-editor.elementor-drop-cap-view-framed .elementor-drop-cap{color:#69727d;border:3px solid;background-color:transparent}.elementor-widget-text-editor:not(.elementor-drop-cap-view-default) .elementor-drop-cap{margin-top:8px}.elementor-widget-text-editor:not(.elementor-drop-cap-view-default) .elementor-drop-cap-letter{width:1em;height:1em}.elementor-widget-text-editor .elementor-drop-cap{float:left;text-align:center;line-height:1;font-size:50px}.elementor-widget-text-editor .elementor-drop-cap-letter{display:inline-block}<\/style>\t\t\t\t<h4><strong>Por Susana Z Scotton<\/strong><\/h4><h5><em><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/span><\/em><\/h5><h5><em><span style=\"font-weight: 400;\">Texto de abertura da s\u00e9rie \u201cConstruindo a Identidade\u201d. Esta s\u00e9rie compreende a ideia de um di\u00e1logo claro e aberto com pais, professores, educadores e com os demais envolvidos no desenvolvimento bio-psico-social de uma crian\u00e7a. Aqui trabalharemos de forma resumida a no\u00e7\u00e3o b\u00e1sica de identidade.\u00a0<\/span><\/em><\/h5><p>\u00a0<\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">A palavra identidade nos remete ao que \u00e9 igual, ao que \u00e9 id\u00eantico. Entretanto, algo s\u00f3 tem uma identidade se h\u00e1 tra\u00e7os que o diferenciam dos demais. Um l\u00e1pis grafite \u00e9 id\u00eantico a outro l\u00e1pis grafite, se n\u00e3o levarmos em conta diferen\u00e7as de marca, modelos, etc. Esse l\u00e1pis s\u00f3 \u00e9 assim, porque n\u00e3o \u00e9 um l\u00e1pis colorido, ou uma r\u00e9gua, etc. Assim tamb\u00e9m se processa na l\u00edngua: a palavra \u201cfala\u201d s\u00f3 tem sua identidade fon\u00e9tica, gr\u00e1fica e de significados, pois seus tra\u00e7os a diferenciam das outras tantas como, por exemplo, a palavra \u201ccala\u201d, que em fun\u00e7\u00e3o da presen\u00e7a de uma \u00fanica letra (\u2018c\u2019) \u00e9 o \u201coposto\u201d de \u201cfala\u201d e assim por diante.\u00a0\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Isto \u00e9, queremos dizer que a palavra \u201cidentidade\u201d evoca, por consequ\u00eancia, as palavras \u201calteridade\u201d, \u201cdiferen\u00e7a\u201d. Uma pessoa, por exemplo, possui sua identidade, no meio de outras tantas pessoas, por ter um nome e sobrenome, por ter um pai e uma m\u00e3e, que respondam \u00e0 sua filia\u00e7\u00e3o, por ter um biotipo pr\u00f3prio, por ser morador de uma determinada cidade, estado, na\u00e7\u00e3o, pertencer a uma cultura&#8230; A identidade ao mesmo em que nos aproxima, nos assemelha, nos diferencia.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">De acordo com Renato Mezan (1986), na obra <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Psican\u00e1lise, Juda\u00edsmo<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">: resson\u00e2ncias, a identidade n\u00e3o \u00e9 um elemento que possu\u00edmos ao nascer, mas, antes, \u00e9 algo adquirido aos poucos, ao longo de nossa inf\u00e2ncia, de nossa educa\u00e7\u00e3o, varia de acordo com cultura na qual estamos inseridos, etc. A identidade est\u00e1 situada no ponto de cruzamento entre o aparelho ps\u00edquico com o qual nascemos e algo que nos vem da realidade externa.\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Para a Psican\u00e1lise, a identidade vem por meio do processo denominado <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">identifica\u00e7\u00e3o<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">.\u00a0 Este processo de identifica\u00e7\u00e3o culmina na constitui\u00e7\u00e3o, \u201cdentro de cada um de n\u00f3s, de um eu, isto \u00e9, de uma parte nossa que vai nos parecer a \u00fanica, porque \u00e9 apenas dela que temos consci\u00eancia\u201d (MEZAN, 1986, p.21).\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Por isto, o sentimento de identidade est\u00e1 associado, segundo Mezan, <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u00e0 no\u00e7\u00e3o de continuidade<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">: mesmo que o tempo passe, que estejamos em lugares diferentes, vivendo em contextos diversos, possu\u00edmos, na maioria das vezes, uma sensa\u00e7\u00e3o subjetiva que nos acompanha e que nos confere a identidade. Junto ao fen\u00f4meno da continuidade est\u00e1 a sensa\u00e7\u00e3o de limite. Por exemplo, sabemos os limites de nosso corpo \u2013 onde \u201ccome\u00e7a e termina\u201d, assim como o sentir-se inteiro na pr\u00f3pria pele, etc.\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Mas \u00e9 preciso dizer que nem todo mundo tem essa sensa\u00e7\u00e3o de limite. Tais fen\u00f4menos que envolvem as sensa\u00e7\u00f5es de perman\u00eancia, continuidade, limites claros entre si e os outros n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o naturais para alguns indiv\u00edduos. Para estes, que podem apresentar sintomas muito variados, a no\u00e7\u00e3o de identidade \u00e9 pouco estruturada e isto pode afetar bastante o seu desenvolvimento bio-psico-social.\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">A constru\u00e7\u00e3o da no\u00e7\u00e3o de identidade tem seu in\u00edcio na rela\u00e7\u00e3o m\u00e3e-beb\u00ea, pois \u00e9 ela que ir\u00e1 ajud\u00e1-lo a construir um \u201ceu\u201d. Por isto, as nuances desta constru\u00e7\u00e3o dependem da maneira como a m\u00e3e lida com seu beb\u00ea, o que, por sua vez, tamb\u00e9m depende da maneira como ela lida com sua pr\u00f3pria psique e com seu pr\u00f3prio \u201ceu\u201d. A fun\u00e7\u00e3o do \u201ceu\u201d \u00e9, de acordo com Mezan, conferir sentido ao que ocorre \u00e0 psique, ao que vai lhe acontecendo por estar dentro de um corpo e num sistema de rela\u00e7\u00f5es com os outros seres humanos. Por isto, \u00e9 preciso que o \u201ceu\u201d seja capaz de uma atividade ps\u00edquica que n\u00e3o se confunda com a fantasia, que seja capaz de discernir entre ilus\u00e3o e realidade.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">A m\u00e3e ou a pessoa respons\u00e1vel pelos primeiros cuidados \u00e9 a primeira envolvida nesse processo de constru\u00e7\u00e3o de identidade. O pai e demais membros da fam\u00edlia e a escola tamb\u00e9m desempenhar\u00e3o um importante papel neste processo. Em fun\u00e7\u00e3o desta import\u00e2ncia social que temos enquanto pais, m\u00e3es, educadores e cidad\u00e3os, ou seja, enquanto pessoas que propiciam, de maneira direta ou indireta, meios para que haja um desenvolvimento saud\u00e1vel da identidade, inauguramos este s\u00e9rie de reflex\u00f5es sobre a \u201cconstru\u00e7\u00e3o da identidade\u201d (Construindo a identidade), que envolver\u00e1 reflex\u00f5es sobre o beb\u00ea, a crian\u00e7a e o jovem, sobre algumas quest\u00f5es espec\u00edficas, e como poderemos cooperar para um desenvolvimento saud\u00e1vel. A ideia \u00e9 de conversa que se pretende um di\u00e1logo claro, aberto, generoso.\u00a0<\/span><\/p><p><em><span style=\"font-weight: 400;\">Pr\u00f3ximo texto sobre a Crian\u00e7a e o Brincar.\u00a0<\/span><\/em><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/span><\/p>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-8aed2f3 e-flex e-con-boxed e-con e-parent\" data-id=\"8aed2f3\" data-element_type=\"container\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"e-con-inner\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-197f9a5 elementor-widget elementor-widget-heading\" data-id=\"197f9a5\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"heading.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t<h2 class=\"elementor-heading-title elementor-size-default\">Construindo a Identidade: Como Acompanhar as Brincadeiras das Crian\u00e7as.\n<\/h2>\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-edf9b0f e-flex e-con-boxed e-con e-parent\" data-id=\"edf9b0f\" data-element_type=\"container\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"e-con-inner\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-79bb531 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"79bb531\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t<h4><strong>Susana Z Scotton<\/strong><\/h4><p>\u00a0<\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">De acordo com o historiador erudito, Johan Huizinga, em sua obra <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Homo Ludens<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> (1999), o jogo tem import\u00e2ncia fundamental para o ser humano. Trata-se de algo muito primitivo; \u00e9 o que nos aproxima dos animais; \u00e9 o que antecede a cultura e a subsidia. No jogo \u2013 e aqui estenderemos para a no\u00e7\u00e3o da brincadeira infantil, uma vez que seus aspectos remontam o jogo \u2013 est\u00e3o subjacentes todas as artes de express\u00e3o e competi\u00e7\u00e3o, inclusive as artes do pensamento e do discurso. O jogo, pelo seu aspecto d\u00fabio biol\u00f3gico (pelo uso do corpo) e simb\u00f3lico (nos seres humanos), funciona como um movimento de autorregula\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">A crian\u00e7a, quando brinca, \u00e9 tribut\u00e1ria de toda ancestralidade presente no jogo. O brincar para ela \u00e9 profundamente importante, como j\u00e1 assinalaram te\u00f3ricos como Melanie Klein, entre outros, porque a partir desta atividade ela pode \u201cexternar\u201d seu mundo interno de forma criativa e saud\u00e1vel.\u00a0\u00a0\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Quando uma crian\u00e7a brinca, ela se entrega totalmente a seu pr\u00f3prio universo; est\u00e1 no centro de sua circula\u00e7\u00e3o libidinal. Vive uma independ\u00eancia ben\u00e9fica, absorta por um sentimento de alegria, concentrada, esquecendo-se completamente do mundo exterior. Se a m\u00e3e ou algum outro indiv\u00edduo aparece para perguntar o que ela est\u00e1 fazendo, dependendo da forma como a aborda, \u00e9 provocado um verdadeiro choque para a crian\u00e7a que est\u00e1 num momento de \u201cintensa concentra\u00e7\u00e3o\u201d. Pois a crian\u00e7a quando brinca, brinca com o corpo \u2013 \u201cfaz corpo com sua atividade\u201d. Est\u00e1 entregue de \u201ccorpo e alma\u201d, como se diz, em sua atividade. O mundo m\u00e1gico da crian\u00e7a n\u00e3o \u00e9 um mundo irreal ou algo oposto ao real, mas \u00e9 o mundo interior dela.\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Por isso, o efeito desta experi\u00eancia pode resultar no reflexo de sobressalto \u2013 tal qual um susto muito forte. O efeito de sobressalto, segundo as teorias da Psicoterapia Corporal, faz com que a energia da pessoa seja retirada para as profundezas do organismo, produzindo uma tens\u00e3o. Esta tens\u00e3o provocada impede a livre circula\u00e7\u00e3o libidinal. A circula\u00e7\u00e3o libidinal pode ser entendida como a energia vital que todo organismo vivo tem e que \u00e9 respons\u00e1vel pela sa\u00fade e pelo bem estar. As interrup\u00e7\u00f5es provocadas neste sistema de livre circula\u00e7\u00e3o acarretam graves consequ\u00eancias para o funcionamento natural do sistema bio-psiquico-social humano.\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">H\u00e1 tamb\u00e9m outro aspecto desta hist\u00f3ria. Uma vez interrompida, a crian\u00e7a retoma sua atividade com uma esp\u00e9cie de sentimento de \u201cantecipa\u00e7\u00e3o\u201d, como se pudesse antecipar outra interrup\u00e7\u00e3o e ela, a partir da\u00ed, n\u00e3o consegue a mesma fluidez no ato de brincar. Isto tudo porque a crian\u00e7a \u00e9 muito aberta, muito mais que o adulto, e a interrup\u00e7\u00e3o, neste caso, pode ser equiparada, segundo Boyesen (1986), a uma experi\u00eancia sexual interrompida. Quando uma pessoa est\u00e1 tendo rela\u00e7\u00f5es sexuais satisfat\u00f3rias e \u00e9 interrompida no meio do ato por uma terceira pessoa que adentra no quarto, por exemplo, um choque muito s\u00e9rio poder\u00e1 ser registrado.\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">As crian\u00e7as gostam muito de ter os adultos por perto. T\u00ea-los por perto as reconforta. \u00c9 poss\u00edvel estar perto, fazer-se presente, respeitando o brincar e o momento do brincar. O adulto pode brincar junto, pode participar, mas deve deixar que a crian\u00e7a tenha momentos a s\u00f3s com as suas atividades l\u00fadicas para que possa se descobrir, descobrir suas prefer\u00eancias, lidar com suas quest\u00f5es, desenvolver sua criatividade.\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Os adultos normalmente tendem a interromper a crian\u00e7a de forma desatenta para cham\u00e1-la para outra atividade. Eles a interrompem tamb\u00e9m para \u201cchecar\u201d o que elas est\u00e3o fazendo: \u201cO que voc\u00ea est\u00e1 fazendo?\u201d Do que voc\u00ea est\u00e1 brincando?\u201d\u00a0 Ou ent\u00e3o pelo medo de que estejam fazendo \u201calgo errado\u201d: \u201cquando tudo est\u00e1 quieto \u00e9 sinal de que est\u00e1 fazendo \u2018arte\u2019\u201d. Os adultos fazem isto como forma de se fazer presente ou mesmo por achar que isto demonstra interesse sobre a crian\u00e7a. Mas \u00e9 ruim ser interrompido em um momento importante.\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">H\u00e1 momentos que \u00e9 preciso cham\u00e1-la; h\u00e1 momentos em que a interrup\u00e7\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria. Afinal, h\u00e1 a hora para se alimentar, para sair, para dormir&#8230; h\u00e1 uma rotina que tamb\u00e9m deve ser respeitada e \u00e9 ben\u00e9fica. Quando a interrup\u00e7\u00e3o de fato tiver que ser feita, vale que o adulto module seu tom de voz; atente-se para como adentrar\u00e1 no espa\u00e7o da brincadeira da crian\u00e7a; pense na melhor forma de abordar a crian\u00e7a, com respeito e com carinho pelo seu momento. Momento que deve ser entendido como de extrema import\u00e2ncia para o seu desenvolvimento.\u00a0\u00a0\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">FONTES<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">BOYESEN, G. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Entre Psiqu\u00ea e Soma<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> \u2013 Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 Psicologia Biodin\u00e2mica. Summus: S\u00e3o Paulo, 1986.\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">HIUZINGA, J. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Homo ludens<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">: o jogo como elemento da cultura. Perspectiva: S\u00e3o Paulo, (1999).<\/span><\/p>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-542570f e-flex e-con-boxed e-con e-parent\" data-id=\"542570f\" data-element_type=\"container\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"e-con-inner\">\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-38b1910 e-flex e-con-boxed e-con e-parent\" data-id=\"38b1910\" data-element_type=\"container\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"e-con-inner\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-fc91cb2 elementor-widget elementor-widget-heading\" data-id=\"fc91cb2\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"heading.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t<h2 class=\"elementor-heading-title elementor-size-default\">Construindo a identidade: O prazer no lugar do desejo.\n<\/h2>\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-4a8fdbd e-flex e-con-boxed e-con e-parent\" data-id=\"4a8fdbd\" data-element_type=\"container\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"e-con-inner\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-4c76a2c elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"4c76a2c\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t<h4><strong>Por Susana Z Scotton<\/strong><\/h4><p>\u00a0<\/p><p><i><span style=\"font-weight: 400;\">Eu sei de mim se eu posso sentir<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/p><p>\u00a0<\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">A constru\u00e7\u00e3o da identidade de um indiv\u00edduo tamb\u00e9m \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o visceral. Num primeiro instante, com o nascimento, o que se tem \u00e9 um corpo com necessidades primordiais de ser alimentado, confortado, acolhido, ser visto em suas necessidades. Por exemplo, um beb\u00ea tem fome, mas \u00e0s vezes tem uma hipertens\u00e3o que j\u00e1 est\u00e1 instalada em seu corpo e necessita fazer uma descarga desta tens\u00e3o ao inv\u00e9s de ser apenas alimentado. Assim, aos poucos ele vai sendo respeitado em suas demandas para mais para frente tamb\u00e9m aprender a se respeitar.\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Esse pequeno corpo que se desenvolve deve ser ouvido primeiramente em suas necessidades para que haja uma constru\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel do eu, da identidade, que est\u00e1 relacionada ao se perceber, ao aprender a se consultar. Como o ego \u00e9 corporal (para Freud, para Reich), a identidade transita por esta consulta do que \u00e9 visceral, do que \u00e9 sensorial. O indiv\u00edduo s\u00f3 pode saber de si mesmo se ele teve e tem o tempo do sentir e isto faz parte de uma constru\u00e7\u00e3o desde os primeiros momentos, em suas rela\u00e7\u00f5es com seus cuidadores. Ent\u00e3o, para falar de identidade \u00e9 preciso falar de um direito de sentir.\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Por\u00e9m, estamos num momento em que o tempo de matura\u00e7\u00e3o dos processos org\u00e2nicos, que envolvem o indiv\u00edduo como um todo (maturidade para se ter determinadas experi\u00eancias, os processos de luto, de nascimento, de aprendizagem, etc.), \u00e9 pouco respeitado. Isto quer dizer que as decis\u00f5es sobre \u201co que fazer\u201d, \u201co aproveitar a vida\u201d t\u00eam que ser tomadas sem que se respeite necessariamente o biorritmo dos desejos, porque a necessidade de obten\u00e7\u00e3o do prazer \u2013 a ordem do prazer &#8211; se coloca na dianteira dos acontecimentos. Neste sentido, a no\u00e7\u00e3o do eu e a pr\u00f3pria identidade \u201cs\u00e3o colocados \u00e0 prova\u201d.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">O que suplanta essa discuss\u00e3o \u00e9 \u201ca modernidade l\u00edquida\u201d descrita por Bauman como o resultado de um mundo repleto de sinais muitas vezes confusos, em constante muta\u00e7\u00e3o e se alterando de forma imprevis\u00edvel. Essa ideia est\u00e1 relacionada ao quanto o prazer est\u00e1 tomando o lugar do desejo; como se as pessoas tivessem que ter prazer sem ao menos ter tempo para observar o pr\u00f3prio desejo. Na era da velocidade da comunica\u00e7\u00e3o, as informa\u00e7\u00f5es saltam aos olhos \u201csem pedir permiss\u00e3o\u201d; h\u00e1 uma enxurrada de ofertas de prazer ou de vislumbre do que seria o ideal de prazer. Mas qual seria de fato o desejo do indiv\u00edduo? O que ele de fato est\u00e1 sentido?\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 como se n\u00e3o houvesse mais tempo, tal qual o \u201cresponda agora\u201d: \u201co que voc\u00ea quer? Quer esse ou aquele?\u201d \u00c9 preciso ter prazer e tem que ser r\u00e1pido. O tempo para se consultar e ver o que realmente se quer se torna invi\u00e1vel. E nesse percurso, as pessoas v\u00e3o diretamente para o prazer, fazendo um caminho que n\u00e3o passa pelo desejo. Ent\u00e3o, que sentido tem algo conquistado, mas que n\u00e3o foi de fato desejado? \u00c9 muito dif\u00edcil assimilar o que n\u00e3o se desejou como prazer e o que resta desta equa\u00e7\u00e3o \u00e9 a eterna insatisfa\u00e7\u00e3o, o vazio existencial.\u00a0 J\u00e1 o desejo envolve a ang\u00fastia, a frustra\u00e7\u00e3o e a possibilidade de se conhecer, de se consultar, de se perceber, de negociar com a realidade as possibilidades de sua realiza\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o. O prazer imediatista n\u00e3o pressup\u00f5e este caminho, mas intensifica as possibilidades do consumo e, depois, do t\u00e9dio e da busca incessante por outro novo prazer.\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Entretanto, h\u00e1 uma ordem que diz que \u00e9 preciso estar feliz, afinal este mundo tem tantas op\u00e7\u00f5es. H\u00e1 muita coisa dispon\u00edvel, mas mesmo assim nem sempre \u00e9 o que o indiv\u00edduo quer. As pessoas \u00e0s vezes nem decidem se sua op\u00e7\u00e3o era realmente o seu desejo; apenas atendem \u00e0 ordem do prazer vinda de fora, programada. Os pais, por exemplo, costumam dizer: meus filhos t\u00eam tudo, o que poder\u00e1 torn\u00e1-los infelizes? Ora, muitas vezes, os filhos t\u00eam tudo que os pais querem dar, mas nem sempre o que eles desejam. Na verdade, eles t\u00eam o que a sociedade determina como algo desej\u00e1vel, mas esta oferta nem sempre \u00e9 exatamente o desejo do indiv\u00edduo.\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">A situa\u00e7\u00e3o da primazia do prazer em rela\u00e7\u00e3o ao desejo faz com que as pessoas se percam num processo de aliena\u00e7\u00e3o; elas perdem a capacidade de parar e dizer \u201colha, o meu desejo \u00e9 outro\u201d &#8230; \u201cmesmo que o ideal seja uma viagem para Paris, eu gostaria de ir para outro lugar mais simples, pois isto de fato me faria feliz\u201d. Ao investir num prazer sem se consultar, o ser humano vai solapando sua identidade, solapando sua capacidade de decidir.\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Esse excesso de op\u00e7\u00e3o resulta numa press\u00e3o ps\u00edquica. Uma press\u00e3o ps\u00edquica que gera confus\u00e3o, uma sensa\u00e7\u00e3o de como se fosse imposs\u00edvel se contentar com a pr\u00f3pria vida, apesar de \u201cse ter tudo\u201d. Talvez uma das maiores riquezas que se perca seja a capacidade de se consultar, de se consultar em rela\u00e7\u00e3o aos desejos antes da ordem do prazer, de sentir o sensorial, de se perceber em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 satisfa\u00e7\u00e3o numa sociedade em que o prazer j\u00e1 est\u00e1 pronto, dificulta a constru\u00e7\u00e3o da identidade.<\/span><\/p><p>\u00a0<\/p>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-7491740 elementor-widget elementor-widget-heading\" data-id=\"7491740\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"heading.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t<h2 class=\"elementor-heading-title elementor-size-default\">Construindo a identidade: Sobre o desfraldar\n<\/h2>\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-9058983 e-flex e-con-boxed e-con e-parent\" data-id=\"9058983\" data-element_type=\"container\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"e-con-inner\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-52df368 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"52df368\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t<h4><strong>Por Susana Z Scotton<\/strong><\/h4><p>\u00a0<\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">O desenvolvimento psicossexual de uma crian\u00e7a \u00e9 descrito pelas fases oral, anal e genital, dentro da literatura psicanal\u00edtica (Freud, Reich, Abrahm, etc.). Grosso modo, isto quer dizer que a boca, o \u00e2nus e os \u00f3rg\u00e3os genitais s\u00e3o vias de prazer que est\u00e3o ligadas ao funcionamento org\u00e2nico primordial, que \u00e9, aos poucos, adquirido pelo beb\u00ea e posteriormente pela crian\u00e7a.\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">O animal da esp\u00e9cie humana n\u00e3o nasce pronto. Demora at\u00e9 que ele possa se alimentar sozinho, fazer suas necessidades, andar, correr, etc. at\u00e9, ent\u00e3o, sua sobreviv\u00eancia est\u00e1 atrelada a um cuidador, num primeiro momento, que geralmente, \u00e9 a m\u00e3e. Uma vez que sua depend\u00eancia est\u00e1 atrelada a outro ser humano, a forma com a qual este outro lidar\u00e1 com as necessidades prim\u00e1rias do beb\u00ea influenciar\u00e1 seu desenvolvimento biol\u00f3gico, psicol\u00f3gico e social.\u00a0\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">O beb\u00ea nasce, por exemplo, dependente da necessidade de que algu\u00e9m o alimente. Alimentar-se relaciona n\u00e3o s\u00f3 aspectos ligados estritamente \u00e0 sobreviv\u00eancia, mas ao prazer que, neste caso, d\u00e1-se pela boca, via oral. Na verdade, \u00e9 uma coisa s\u00f3: prazer, sobreviv\u00eancia. A forma como o beb\u00ea ser\u00e1 alimentado tamb\u00e9m interfere na qualidade deste prazer e, consequentemente, na forma como ele lidar\u00e1 com o seu corpo e com o mundo.\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Conforme os meses v\u00e3o passando, o desenvolvimento come\u00e7a a relacionar outras partes do corpo. Num primeiro momento, por exemplo, o beb\u00ea n\u00e3o tem controle de seus \u00f3rg\u00e3os genitais e de seu esf\u00edncter, o xixi e as fezes n\u00e3o podem ser \u201ccontrolados\u201d. Aos poucos, a crian\u00e7a come\u00e7a a adquirir este controle e o prazer passa a ser ligado \u00e0 regi\u00e3o do \u00e2nus. E novamente o trato do adulto ou respons\u00e1vel por ela, nesta nova fase que se inicia, afetar\u00e1 a forma como ela ir\u00e1 lidar com seu corpo. \u00c9 como se a fisiologia fosse modelada por essa equa\u00e7\u00e3o emocional complexa que permeia o desenvolvimento envolto por cuidados. Esses cuidados ajudam ou atrapalham a rela\u00e7\u00e3o do ser com seu pr\u00f3prio corpo, com a constru\u00e7\u00e3o de seu sentimento de identidade, de continuidade, de perten\u00e7a e, consequentemente, sua rela\u00e7\u00e3o com o mundo. Um corpo afeta o outro.\u00a0\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Essa imbrincada rela\u00e7\u00e3o do corpo humano em depend\u00eancia com outro corpo afeta a estrutura emocional e biol\u00f3gica do organismo que se desenvolve. \u00c9 por meio deste outro corpo que aspectos essenciais da cultura ser\u00e3o impregnados e transmitidos ao ser em desenvolvimento. Uma das quest\u00f5es mais delicadas em nossas sociedades \u00e9 o trato com a <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">toillet<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, geralmente ligada \u00e0 sujeira, \u00e0 vergonha&#8230; como se n\u00e3o fosse algo natural de todos os seres vivos. Qualquer organismo capaz de transformar um alimento em energia produz um \u201cdejeto\u201d.\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Mas essa no\u00e7\u00e3o da \u201cnojeira\u201d de nossas excre\u00e7\u00f5es tem uma raz\u00e3o de ser dentro do processo civilizat\u00f3rio. A sociedade europeia, por exemplo, passou por um processo de desenvolvimento muito r\u00e1pido e antes mesmo que estivessem dispon\u00edveis as facilidades sanit\u00e1rias que hoje existem. A falta desta estrutura sanit\u00e1ria agravou os riscos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 contamina\u00e7\u00e3o, comprometendo a sa\u00fade dos homens por muito tempo. H\u00e1 relatos de que os dejetos eram despejados pelas janelas dos antigos casar\u00f5es, permanecendo na rua, aqui, no Brasil, por exemplo. Foi, ent\u00e3o, preciso que se criasse uma cultura de higiene para que as formas de lidar fossem modificadas.\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Assim, o treino exagerado e prematuro da <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">toillet<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> acabou sendo necess\u00e1rio de alguma forma para a sobreviv\u00eancia. Por\u00e9m, de acordo com Lowen, o exagero em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 limpeza por parte dos europeus &#8211; que acabou ficando como heran\u00e7a cultural para n\u00f3s &#8211; acaba tolhendo parte da espontaneidade e a alegria das crian\u00e7as pequenininhas. Isto por que a excessiva limpeza, o asseio feito de forma muito mec\u00e2nica (o trocar fraldas com muita rapidez e de forma autom\u00e1tica), que leva ao trato compulsivo com as fezes do beb\u00ea, acaba inibindo sua espontaneidade com seu pr\u00f3prio corpo. Um desses manuseios referentes \u00e0 limpeza \u00e9 a pressa em tirar as fraldas do beb\u00ea antes mesmo que ele esteja pronto para tanto. Muitas vezes, essas experi\u00eancias acabam cooperando para que ocorram algumas dificuldades biops\u00edquicas no futuro adulto que v\u00e3o desde de um funcionamento intestinal mais dif\u00edcil at\u00e9 quest\u00f5es comportamentais.\u00a0\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Claro que a vida civilizada requer que todas as crian\u00e7as tenham um treino da <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">toillet<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> e, logicamente, os adultos d\u00e3o relativa aten\u00e7\u00e3o \u00e0s fun\u00e7\u00f5es excretoras. De tal forma isso ocorre que todas as quest\u00f5es do asseio infantil ficam por conta da maneira como adulto as encara.\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">A maioria das crian\u00e7as que crescem em ambientes civilizados ter\u00e1 algum tipo de mau funcionamento do \u00e2nus, conforme comprovam as experi\u00eancias cl\u00ednicas de Reich e Lowen. Pois, a tentativa por parte do infante de desenvolver o controle prematuro do esf\u00edncter resulta em espasmos e tens\u00f5es dos m\u00fasculos gl\u00fateos e m\u00fasculos da coxa. Uma vez que isso se configura, surgem bloqueios energ\u00e9ticos e consequentemente h\u00e1 uma sobrecarga na regi\u00e3o que cria um erotismo anal que pode vir a ser patol\u00f3gico.\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">A inerva\u00e7\u00e3o motora do m\u00fasculo esfincteriano anal externo se mieliniza muito mais tarde, de modo que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel ter o seu controle total no in\u00edcio da vida. O corpo sente essa exig\u00eancia como uma agress\u00e3o: as crian\u00e7as contraem as n\u00e1degas, erguem o assoalho p\u00e9lvico e contraem a parte posterior das coxas para impedirem seu movimento. Na medida em que essa se torna uma condi\u00e7\u00e3o dolorosa, desenvolve-se um conflito s\u00e9rio relacionado \u00e0s tend\u00eancias destrutivas e \u00e0 submiss\u00e3o.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">As tend\u00eancias destrutivas encontradas numa crian\u00e7a v\u00eam exatamente das interfer\u00eancias feitas nas necessidades e ritmos naturais, mas isso pode e deve ser evitado. Para saber o melhor momento de tirar as fraldas do beb\u00ea, por exemplo, vale perceber como est\u00e1 o seu equil\u00edbrio corporal, ela j\u00e1 consegue subir as escadas com alguma seguran\u00e7a, por exemplo? Se ela j\u00e1 estiver pronta para subir e descer as escadas, o cuidador j\u00e1 pode pensar em come\u00e7ar o treino de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">toillet<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Ser\u00e1 que n\u00e3o poder\u00edamos deixar a crian\u00e7a usar fraldas at\u00e9 que ela possa compreender a natureza dessas fun\u00e7\u00f5es e expresse numa linguagem simples e clara suas necessidades? Ser\u00e1 mesmo que dever\u00edamos agir t\u00e3o prontamente a fim de nos livrarmos desse encargo? A naturalidade e a paci\u00eancia podem nos apontar caminhos mais naturais de lidar com esta importante fase.\u00a0\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">REFER\u00caNCIAS<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">LOWEN, A.. <\/span><b>O corpo em terapia<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> \u2013 a abordagem bioenerg\u00e9tica. Tradu\u00e7\u00e3o de Maria S\u00edlvia Mour\u00e3o Netto. S\u00e3o Paulo: Summus, 1977.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">REICH, W. <\/span><b>An\u00e1lise do Car\u00e1ter.<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> Tradu\u00e7\u00e3o de Maria da Gl\u00f3ria Novak. S\u00e3o Paulo: Martins Fontes, 1989.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">______. <\/span><b>A fun\u00e7\u00e3o do orgasmo<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">. 4.ed. Tradu\u00e7\u00e3o de Maria da Gl\u00f3ria Novak. S\u00e3o Paulo: Brasiliense, 1978.<\/span><\/p><p><br \/><br \/><\/p>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-67f56ad e-flex e-con-boxed e-con e-parent\" data-id=\"67f56ad\" data-element_type=\"container\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"e-con-inner\">\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-33b19bc e-flex e-con-boxed e-con e-parent\" data-id=\"33b19bc\" data-element_type=\"container\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"e-con-inner\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-15dc2f3 elementor-widget elementor-widget-heading\" data-id=\"15dc2f3\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"heading.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t<h2 class=\"elementor-heading-title elementor-size-default\">Construindo a identidade: A sexualidade infantil e o papel do adulto\n<\/h2>\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-d1cd14e e-flex e-con-boxed e-con e-parent\" data-id=\"d1cd14e\" data-element_type=\"container\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"e-con-inner\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-0e4eb99 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"0e4eb99\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t<h4><strong>Por Susana Z Scotton<\/strong><\/h4><p>\u00a0<\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Nessa fase, entre os 5 e os 6 anos de idade, a crian\u00e7a se v\u00ea envolta por seus desejos egoc\u00eantricos e o mundo real, social, feito de limites, normas de conv\u00edvio. Por isto, a figura do professor deve funcionar como uma refer\u00eancia e, por meio do v\u00ednculo com ele, a crian\u00e7a pode expressar todo esse conflito, na medida em que \u00e9 acolhida em suas d\u00favidas e ang\u00fastias.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Isso tamb\u00e9m inclui a sexualidade em desenvolvimento. As experi\u00eancias com o pr\u00f3prio corpo, como fonte de prazer, o corpo do outro, que \u00e9 diferente do seu, que gera curiosidade e \u201cexperimenta\u00e7\u00f5es\u201d (como as brincadeiras em que tanto meninos como meninas encarnam diferentes papeis de pai, de m\u00e3e, etc.) devem ser vistos com naturalidade pelo adulto (pais, m\u00e3es e mestres). As orienta\u00e7\u00f5es a\u00ed tamb\u00e9m devem ser respeitosas, de forma a acolher as d\u00favidas e orientar, de acordo com as condutas sociais de prote\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">A prote\u00e7\u00e3o deve servir de guia para o adulto com o intuito da crian\u00e7a n\u00e3o se machucar ou machucar outrem, de n\u00e3o se \u201cexpor\u201d ou expor o outro. Mas a orienta\u00e7\u00e3o, se poss\u00edvel, neste caso, deve perder a conota\u00e7\u00e3o repressiva. Afinal a crian\u00e7a n\u00e3o tem a compreens\u00e3o de tudo o que a sexualidade implica em nossa cultura. Para ela, \u00e9 natural, \u00e9 descoberta e nada mais justo do que tratar o ser em desenvolvimento, com o frescor das novidades, de forma branda, gentil e acolhedora.\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 gostoso se tocar. Conhecer o pr\u00f3prio corpo, \u00e9 importante!\u00a0 Saber-se diferente e igual \u00e9 fundamental para o crescimento. Mas n\u00e3o vale se machucar&#8230; a intimidade deve ser resguardada e protegida. O amor entre os amigos \u00e9 saud\u00e1vel, natural e excitante. O olhar do adulto acolhedor, cuidador, deve ser de respeito pelo afeto entre as crian\u00e7as, sem \u201cadultizar\u201d, sem \u201csexualizar\u201d e sem reprimir. Se passar dos \u201climites\u201d, orienta\u00e7\u00e3o com amor. Olhos nos olhos e tom ameno. \u00c9 poss\u00edvel ser firme com ternura.\u00a0\u00a0\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">O adulto cuidador pode confiar na natureza humana primordial, biol\u00f3gica, em que a sexualidade, vivida de forma saud\u00e1vel, \u00e9 uma energia vital, capaz de regular o organismo, capaz de promover sentimentos e sensa\u00e7\u00f5es de amor, de compaix\u00e3o, de satisfa\u00e7\u00e3o. Neste sentido, os esfor\u00e7os ser\u00e3o mais bem sucedidos se forem capazes de \u201cdar contorno\u201d e prote\u00e7\u00e3o \u00e0 sexualidade que se desenvolve.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">As crian\u00e7as, nesta fase, vivem um momento bastante especial e, muitas vezes, ficam em constante tens\u00e3o e, portanto, precisam encontrar um lugar que as assegure com acolhimento ao mesmo tempo as encorajem para a vida. Esse lugar \u00e9 geralmente, a pr\u00f3pria casa, o ambiente familiar, com os entes queridos, em que ela pode manifestar suas fraquezas, seus medos, suas demandas.\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">A escola tamb\u00e9m pode ser um espa\u00e7o no qual ela encontrar\u00e1 amparo por meio da figura de um professor com capacidade de acolh\u00ea-la e incentiv\u00e1-la em sua autonomia. Neste momento de inser\u00e7\u00e3o na cultura, momento maravilhoso, mas que gera temores, a escola pode ser um local de primeiras experi\u00eancias sociais enriquecedoras e que, assim, proporcionar\u00e3o escolhas saud\u00e1veis futuramente. A escola deve priorizar a criatividade ao inv\u00e9s do cognitivo. Caso contr\u00e1rio, corremos o risco de perder a express\u00e3o \u00edmpar e essencial em pot\u00eancia plena do sensorial e do criativo.\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Por isto, o trabalho e o esfor\u00e7o devem ser conjuntos, agregados, em conson\u00e2ncia na medida do poss\u00edvel. Somos todos aprendizes nesta jornada. A crian\u00e7a nos ensina sobre n\u00f3s, sobre nossa educa\u00e7\u00e3o, sobre nossos temores, sobre nossa sexualidade. Olhemos para ela e olhemos para n\u00f3s. O desafio instigante da vida passa sempre pelo processo de desenvolvimento no qual nos identificamos com elas, com nossos pares e semelhantes. Trabalhemos em conjunto.<\/span><\/p>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Meninos brincando&#8221; de Portinari (1955)<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":2999,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"inline_featured_image":false,"footnotes":""},"categories":[93,34,91,79,33,47,31,92,36],"tags":[57,96,100,97,56,94,58,42,53,55,101],"class_list":["post-2965","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-identidade","category-inconsciente","category-infancia","category-instituto-raiz","category-psicanalise","category-psicologia-clinica","category-psicologia-corporal","category-psicologia-infantil","category-susana-z-scotton","tag-autoconhecimento","tag-desfraldar","tag-educacao","tag-identidade-2","tag-identidade","tag-infancia","tag-inteligencia-emocional","tag-psicanalise","tag-psicologia-corporal-2","tag-saude-mental","tag-sexualidade-infantil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/institutoraiz.com.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2965","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/institutoraiz.com.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/institutoraiz.com.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutoraiz.com.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutoraiz.com.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2965"}],"version-history":[{"count":35,"href":"https:\/\/institutoraiz.com.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2965\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3004,"href":"https:\/\/institutoraiz.com.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2965\/revisions\/3004"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutoraiz.com.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2999"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/institutoraiz.com.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2965"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutoraiz.com.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2965"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutoraiz.com.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2965"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}