{"id":1,"date":"2024-05-14T07:46:15","date_gmt":"2024-05-14T10:46:15","guid":{"rendered":"http:\/\/institutoraiz.com.br\/2024\/?p=1"},"modified":"2024-09-24T16:43:49","modified_gmt":"2024-09-24T19:43:49","slug":"ola-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/institutoraiz.com.br\/2024\/ola-mundo\/","title":{"rendered":"Se voc\u00ea tivesse depress\u00e3o, desabaria para se curar?"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"1\" class=\"elementor elementor-1\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-ef9e43d e-flex e-con-boxed e-con e-parent\" data-id=\"ef9e43d\" data-element_type=\"container\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"e-con-inner\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-ae70721 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"ae70721\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t<style>\/*! elementor - v3.21.0 - 08-05-2024 *\/\n.elementor-widget-text-editor.elementor-drop-cap-view-stacked .elementor-drop-cap{background-color:#69727d;color:#fff}.elementor-widget-text-editor.elementor-drop-cap-view-framed .elementor-drop-cap{color:#69727d;border:3px solid;background-color:transparent}.elementor-widget-text-editor:not(.elementor-drop-cap-view-default) .elementor-drop-cap{margin-top:8px}.elementor-widget-text-editor:not(.elementor-drop-cap-view-default) .elementor-drop-cap-letter{width:1em;height:1em}.elementor-widget-text-editor .elementor-drop-cap{float:left;text-align:center;line-height:1;font-size:50px}.elementor-widget-text-editor .elementor-drop-cap-letter{display:inline-block}<\/style>\t\t\t\t<h3>Deixar-se cair, a depress\u00e3o e o Corpo<\/h3><h3>\u00a0<\/h3><h3>Susana Zaniolo Scotton<\/h3>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-69cc654c e-flex e-con-boxed e-con e-parent\" data-id=\"69cc654c\" data-element_type=\"container\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"e-con-inner\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-6da9a359 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"6da9a359\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t<p><span style=\"font-weight: 400;\">Deixar-se cair: a<\/span><span style=\"color: var(--paragraph-color); font-family: var( --e-global-typography-text-font-family ), Sans-serif; text-align: var(--text-align);\"> depress\u00e3o e o corpo.<\/span><\/p><p>\u00a0<\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">A obra de Alexander Lowen (1983), <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">O Corpo em Depress\u00e3o<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, aborda aspectos bastante profundos a respeito da depress\u00e3o, fazendo dialogar o tempo todo esta condi\u00e7\u00e3o ps\u00edquica com o corpo f\u00edsico \/ biol\u00f3gico. O livro \u00e9 complexo e seu fundamento bebe da Psican\u00e1lise do austr\u00edaco Wilhelm Reich, revisitada pelo autor norte-americano. Reich entendia o ser humano com um todo interligado: o homem \u00e9 biol\u00f3gico, psicol\u00f3gico e social ao mesmo tempo, sendo que um elemento est\u00e1 inter-relacionado e \u00e9 dependente do outro.\u00a0\u00a0<\/span><\/p><p>\u00a0<\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Neste pequeno texto, abordaremos uma das quest\u00f5es que Lowen traz ligada ao \u201cdeixar-se cair\u201d, que, a priori, pode soar como um paradoxo: a pessoa numa condi\u00e7\u00e3o depressiva j\u00e1 n\u00e3o estaria \u201cca\u00edda\u201d? Ou, ent\u00e3o, \u201cdeixar-se cair\u201d n\u00e3o seria pior ainda? Lowen, trabalhando clinicamente com seus pacientes, percebeu que determinados exerc\u00edcios, quando utilizados dentro de um processo terap\u00eautico, poderiam ser significativos para se alterar uma situa\u00e7\u00e3o biopsiquica cuja correspond\u00eancia \u00e9 a \u201cin\u00e9rcia\u201d. O movimento espont\u00e2neo denota fluidez energ\u00e9tica ao corpo tornando-o desperto, vivo. Quando h\u00e1 um embotamento, um represamento de sentimentos e emo\u00e7\u00f5es principalmente negativas, instala-se uma interdi\u00e7\u00e3o do movimento. O movimento aqui deve ser entendido tamb\u00e9m como a espontaneidade do sentir, do agir, do expressar-se.\u00a0<\/span><\/p><p>\u00a0<\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">De certo modo, \u201cdeixar-se cair\u201d tem um sentido de desistir. Lowen pedia para que as pessoas se sustentassem at\u00e9 que o \u201cdeixar-se\u201d fizesse de fato sentido e, quando elas ca\u00edam, deveriam dizer: \u201ceu desisto\u201d. O exerc\u00edcio \u00e9 muito mais complexo do que exemplificamos aqui, h\u00e1 um processo que o acompanha antes, durante e depois que n\u00e3o nos cabe aqui descrever, uma vez que nossa finalidade \u00e9 outra: pensar a partir desta met\u00e1fora preciosa, \u201cdeixar-se cair\u201d.<\/span><\/p><p>\u00a0<\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Voltando ao exerc\u00edcio proposto por Lowen: geralmente, o movimento era acompanhado pelo choro, pela sensa\u00e7\u00e3o de exaust\u00e3o, etc. Ou seja, algo profundamente reprimido poderia finalmente ter espa\u00e7o para express\u00e3o verdadeira. O choro, a raiva tinham um efeito imediato de al\u00edvio. Vamos estender a discuss\u00e3o: deixar-se cair pode encontrar paridade no orgasmo e, aqui, trata-se de uma refer\u00eancia \u00e0 Wilhelm Reich, que postulou o orgasmo como um restabelecimento biopsiquico do organismo. O orgasmo corresponde a uma entrega corp\u00f3rea intensa, pois se aproxima da ideia da \u201csupress\u00e3o\u201d dos mecanismos de controle do ego para a primazia da biologia, da natureza, que reverbera, depois, em reequil\u00edbrio ps\u00edquico.\u00a0 Orgasmo em franc\u00eas tem a ver com algo do tipo \u201cpequena morte\u201d e, para os hindus, significa \u201cmorrer no outro\u201d. O medo da entrega (deixar-se cair) \u00e9, de certa forma, o que antecede a entrega ao amor, aos sentimentos.\u00a0\u00a0<\/span><\/p><p>\u00a0<\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">O exerc\u00edcio proposto por Lowen era acompanhado na sequ\u00eancia pelo <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">grounding,<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> uma esp\u00e9cie de postura cujos p\u00e9s firmam no ch\u00e3o dando sustenta\u00e7\u00e3o ao corpo, trata-se de um enraizamento. Estar enraizado significa estar com \u201cos p\u00e9s no ch\u00e3o\u201d, mais pr\u00f3ximo da realidade e longe do del\u00edrio da ilus\u00e3o. \u00c9 estar pleno e consciente de suas reais possibilidades; de estar \u201cem seu pr\u00f3prio corpo\u201d tal qual uma assump\u00e7\u00e3o de si mesmo. Uma rela\u00e7\u00e3o bio-ps\u00edquica em que o ego n\u00e3o ultrapassa seus limites corporais.<\/span><\/p><p>\u00a0<\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">De acordo com Lowen, dentre outros autores, as pessoas que vivem em estados depressivos geralmente t\u00eam expectativas irreais sobre a vida e sobre si mesmos. Almejam algo querendo, na verdade, outra coisa. Querem ter sucesso para a partir da\u00ed poderem ser amadas e reconhecidas, por exemplo. Querem reparar uma situa\u00e7\u00e3o de rejei\u00e7\u00e3o, de desafeto, de desamor, de abandono vivida na inf\u00e2ncia e que n\u00e3o pode mais ser refeita na vida adulta, mas que insistem em resgat\u00e1-la. Por\u00e9m, entender tudo isto apenas de forma cognitiva \u00e9 muitas vezes complicado e dif\u00edcil. Por isto, que o corpo pode ser uma via para se restaurar um senso de si perdido; para que o intelectual se aproxime do sens\u00edvel.\u00a0\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Na obra <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">O filho eterno<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> de Cristov\u00e3o Tezza, o narrador relata a angustiante luta de um pai em aceitar o filho com s\u00edndrome de Down e, num determinado momento, ele passa a entender que aquele filho tem uma intelig\u00eancia que passa pelo afeto e por uma sensibilidade que vem do corpo. Apesar de suas express\u00f5es diferentes do que se espera de um corpo \u201cnormal\u201d, havia ali um entendimento do mundo que passava antes pelo sens\u00edvel muitas vezes inapreens\u00edvel num mundo t\u00e3o \u201cmental\u201d. Reencontrar-se com os pr\u00f3prios sentidos pode ter um efeito de abertura para si mesmo, para um cair-se em si mais libertador; apercebendo-se do mundo real, do tempo e do espa\u00e7o presentes.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/span><\/p><p>\u00a0<\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Deixar-se cair, neste sentido, \u00e9 fazer com que o ego e o corpo fiquem pr\u00f3ximos ao ch\u00e3o &#8211; tal qual no exerc\u00edcio de Lowen -, assentados na realidade dos fatos, em que o corpo acorda para suas necessidades de sentir e expressar-se, de amar e ser amado e que ego desiste de suas pretens\u00f5es narc\u00edsicas defensivas.\u00a0<\/span><\/p><p>\u00a0<\/p><p><span style=\"font-weight: 400;\">Estar pr\u00f3ximo ao ch\u00e3o traz, em alguma medida, para al\u00e9m da no\u00e7\u00e3o de estar na \u201crealidade\u201d, a ideia da aproxima\u00e7\u00e3o da morte e tamb\u00e9m do \u00fatero&#8230; A falta de movimentos afetivos, a falta de articula\u00e7\u00e3o de afetos desde a inf\u00e2ncia podem gerar movimentos mec\u00e2nicos pouco espont\u00e2neos e que podem estar presentes nos corpos de homens e mulheres com dificuldades de se entregar para o amor. A entrega pressup\u00f5e uma passagem pelo medo da morte. A depress\u00e3o, em suas in\u00fameras nuances, pode ser compreendida como um posicionamento aflito, inerte perante este desafio da entrega, perante o desafio que representa \u201cdeixar-se cair\u201d&#8230; deixar-se cair em si mesmo. <\/span><\/p>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pintura de James Mcneill Whistler &#8211; 1871<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2899,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"inline_featured_image":false,"footnotes":""},"categories":[33,47,31,1,36],"tags":[57,61,64,56,58,55,54],"class_list":["post-1","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-psicanalise","category-psicologia-clinica","category-psicologia-corporal","category-sem-categoria","category-susana-z-scotton","tag-autoconhecimento","tag-depressao","tag-depressaoeansiedade","tag-identidade","tag-inteligencia-emocional","tag-saude-mental","tag-wilhelm-reich"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/institutoraiz.com.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/institutoraiz.com.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/institutoraiz.com.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutoraiz.com.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutoraiz.com.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/institutoraiz.com.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2902,"href":"https:\/\/institutoraiz.com.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1\/revisions\/2902"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutoraiz.com.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2899"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/institutoraiz.com.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutoraiz.com.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutoraiz.com.br\/2024\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}