Sobre amor e ódio

Imagem: Os Amantes (Magritte, 1928)

A reflexão a seguir é fruto das aulas e supervisões de Susana Zaniolo Scotton.

Falemos sobre um assunto espinhoso: a intrínseca relação entre o amor e o ódio. Em nossa educação moral e religiosa, pelo menos aqui no Ocidente, é nos feito crer que o ódio é algo que não devemos sentir. Ódio é uma palavra pesada! Devemos é sentir e cultivar o amor. O amor pela família, pelo próximo, pelo outro diferente, pelo igual, pelos filhos, pelos amigos, etc. De fato, o amor é algo sem o qual a vida fica difícil. Porém, o que a Psicologia nos conta – e aqui falaremos de forma bem simplificada, pois queremos nos fazer entender por todos – que é próprio do ser humano sentir amor e ódio. Na verdade, estes dois sentimentos estão profundamente vinculados. A criança sente ódio daquele que ela ama profundamente. Não há ódio do indiferente. O ódio é de alguma forma uma medida de segurança que o ser tem para poder se defender daquilo que o agride. O ódio é pontual: tem começo, meio e fim, se nos permitimos senti-lo.

Algo delicado, mas esclarecedor: a mãe pode ter ódio dos filhos e os filhos da mãe. Isto passa se é algo admitido e concebido dentro das relações de amor. Isto não quer dizer que as pessoas devam ou precisem ter reações violentas e impulsivas. Não se trata de descontrole.

Caso o ódio não possa ser concebido dentro das relações, a raiva aparece. A raiva, neste sentido, é pior, pois é altamente inflamatória. Ao contrário da pontualidade do ódio, a raiva é constante e aparece em forma de irritação, ironias, ofensas, entre outros. A raiva impede que o amor flua, que o amor aconteça.

Fechada a porta do ódio, o que aparece é a raiva destruidora, ou seja, um amor raivoso.

PORTAS ABERTAS_ÓDIO AMORAqui a relação flui. A porta está aberta.

PORTAS FECHADAS_ raiva

Deixar acontecer os sentimentos de ódio, dentro de uma relação de amor, pode ser mais benéfico do que negá-los e ter como herança a raiva destruidora. Entender como o ser humano funciona pode facilitar o perdão, redimir da culpa e ter relações com maior qualidade.
Atenção: aqui não nos referimos ao ódio étnico, de gênero ou de grupos, etc. Isto, na verdade, é “peste emocional”. Trata-se, portanto, de outro conceito com outras nuances e dimensões.

Equipe Raiz

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