O que me impede de ser feliz numa relação?

In EAD

Imagem: obra de Pablo Picasso

Alexander Lowen, no prefácio de sua obra O Corpo em Depressão (edição brasileira de 1983), diz que o objetivo do trabalho psiquiátrico e terapêutico de forma geral é fazer com que a pessoa entre em contato com a realidade. Se a ruptura com a realidade é grande, isto é, se a pessoa não se conecta de acordo com a realidade do tempo, lugar ou identidade, sua condição é descrita como psicótica. Quando este distúrbio emocional é menos severo, a pessoa é tida como neurótica. O indivíduo neurótico não está desorientado propriamente; ele possui noção de realidade, porém ele age segundo ilusões e, por isto, consequentemente as respostas que ele dá ao real podem ser equivocadas.

Mas definir com exatidão o que é de fato realidade não é uma tarefa fácil. Ao longo do tempo, crenças sobre a concepção do real foram formuladas e desfeitas. É difícil precisar com rigor a separação entre o real e o ilusório. Entretanto, há uma realidade “palpável” na vida de cada um que diz respeito a sua existência física ou corporal. Como diz Freud, o ego (“o eu”) é antes de tudo corporal. Dentro das teorias da Psicoterapia Corporal, o ser e a sua individualidade são determinados pelo seu corpo. Afinal, quando se morre, deixa-se de ser uma pessoa no mundo real. Não há existência separada de seu corpo. Podemos, ainda, dizer isto sem negar qualquer aspecto espiritual.

O que haveria, então, nesta existência corpórea que não permite que o indivíduo esteja ancorado na realidade de forma plena? Acontece que as noções de passado e, consequentemente, de futuro podem ser “deturpadas” pela ação do inconsciente no corpo. O sofrimento de outrora plasmado no corpo como experiência e defesa bio-psiquica pode levar a pessoa a agir de forma “desconectada” da realidade. Se, por exemplo, uma pessoa teve um período de sua infância difícil, ela provavelmente encontrou defesas para enfrentar as situações. Mas as defesas desenvolvidas ficam, geralmente, impressas em sua estrutura corporal, na maneira como se comporta, como responde ao mundo, etc.. O ser age, assim, de forma “uníssona”, a partir de defesas, tendo um monólogo interno solitário e muitas vezes sem se dar conta desta dinâmica.

Se isso ocorre num âmbito individual, na história individual de cada um, o fenômeno se desmembra e rearranja-se quando estamos numa relação; quando há outro corpo envolvido na dinâmica. Questões como: o porquê de nossas escolhas amorosas; o que o outro suscita em mim; com que parte da minha história estou me relacionando entram em pauta quando uma relação afetiva acontece.

Para fazermos valer com qualidade nossas relações, temos que estar atentos às demandas internas inconscientes e, se possível, desvelar as mazelas que acometem nossas relações para que se evitem términos prematuros ou continuidades em relações não satisfatórias. Neste sentido, o outro pode ser um espelho no qual podemos nos mirar e nos rever e, assim, tornar nossas relações mais saudáveis com os outros e com nós mesmos.

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