Estágio ocular (psicótico)

Imagem:  pintura de Gustave Courbet, “O desesperado”

 (Este resumo foi produzido pelas monitoras Eliana e Carolina em função da primeira aula do mês de fevereiro de 2016, no Instituto Raiz. Como forma de contribuir com as discussões apresentadas em aula, as monitoras produziram este texto).

Segundo Navarro, F. (1995) não existe caráter puro, a não ser o genital (caráter maduro). Todos os outros “caracteres” que encontramos são, na realidade, aspectos, traços caracteriais. Sete são os níveis descritos, em que o primeiro está ligado aos olhos, ouvidos e nariz. Navarro o descreve como telerreceptores. A formação de um ‘EU” ocorre a nível dos olhos, no sentido existencial, não no sentido de “ser”. No sentido de ser, o eu deve constituir-se como identidade biológica, transformando-se em mim (pescoço e tórax). A  importância de trabalhar o nível dos olhos está ligado a formação do “EU” e isto ocorre quando a funcionalidade ocular está completa. Não é citado como caráter ocular, porque o trauma desta fase caracterizaria o psicótico, que não é um caráter, pois no psicótico não há corpo, nem musculatura e, portanto, não há couraça. O trauma ocorrido de forma muito severa constituiria o psicótico; falhas menos severas formariam núcleos psicóticos. Por isto, foi proposto, o trabalho da vegetoterapia nos olhos passando pelos 4 actings. Estes actings nos auxiliam para que seja feito um diagnóstico, na medida em que a pessoa possa ter dificuldades em realizar tais movimentos, em maior ou menos grau e, assim, teremos a dimensão do estabelecimento do eu, para trabalharmos as questões referentes à esquizoidia ou até mesmo à psicose. O primeiro acting é o ponto fixo; o segundo, o da convergência; o terceiro, o da lateralidade e por último o giro (rotação dos olhos). Apenas no final do 4° acting é que teremos condições de administrar as 4 funções e, só assim podemos dizer que essa pessoa assumiu um “EU” capaz de “SER”. Quando finalizamos a rotação dos olhos, temos a possibilidade de um primeiro instalar-se do caráter. Por isso é chamado de estágio ocular e não de caráter ocular.

 

Referência: Navarro, F. Caracterologia Pós- reichiana Frederico Navarro. São Paulo. Ed.Summus, Cap.4; p.39-49, 1995.

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Comments
  • Susana Zaniolo Scotton
    Responder

    Olá alunos, esta é uma nova maneira interessante de darmos continuidade ao proposto aprendizado a partir do interesse do grupo. Este texto nos dá o início de qualquer trabalho de grupo, equipe ou contato individual. Os traumas mais graves de maior prejuízo na pele psíquica ocorre no anel ocular que envolve os aspectos sensoriais, com consequências bio-psico-sociais. Um problema estrutural que um trabalho neo-reichiano não cuida de acordo com os ensinamentos de Wilhelm Reich. Por isso vale a pena aprofundarmos na teoria e na práxis.

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