A morfologia dinâmica do corpo

Imagem: pintura de Escher, Bonde of Union (1956)

(texto dos monitores Maria Del Carmem e Carlos Eduardo)

Segundo David Boadella existem três correntes energéticas fundamentais, ou “fluxos vitais”, fluindo no corpo de forma integrada e são ligadas às três camadas celulares germinativas: ectoderma, mesoderma e endoderma do óvulo fecundado, de onde se formarão todos os sistemas orgânicos.

“Essas correntes se expressam num fluxo de movimento pelos caminhos musculares; num fluxo de percepção e imagens, que percorre o sistema neurosensorial; e, num fluxo de vida emocional que está localizado no centro do corpo e flui através dos órgãos do tronco.” (BOADELLA, 1992-pag10)

Um estresse sofrido em qualquer fase da vida de uma pessoa rompe a integração desses fluxos, comprometendo a vitalidade e a qualidade de vida desta. O trabalho terapêutico na Biossíntese é no sentido da reintegração destes fluxos.

  1. Ectoderma

Essa camada embrionária é representada pela pele, olhos, ouvidos, nariz, língua e cérebro. Com exceção da pele, todos os demais órgãos da Ectoderma estão concentrados na cabeça, no interior do crânio.

Em suma, são os órgãos dos sentidos e que nos põem em contato com o mundo externo: o mundo das relações.

  1. Mesoderma

A espinha é o centro organizacional dos principais músculos e da estrutura óssea do esqueleto e tem suas extensões nos braços, pernas e cabeça (crânio). Sendo responsável pela ação do indivíduo.

  1. Endoderma

Nessa terceira camada encontramos os órgãos internos do tronco – os pulmões e os órgãos abdominais que podem ser considerados o principal reservatório de energia emocional do corpo.

David Boadella nos convida a pensar no corpo, formado a partir do desenvolvimento dessas três camadas, originando essas três regiões principais: cabeça, espinha e barriga. E, a partir daí, compreender a forma como essas três regiões se conectam, interligam-se e inter-relacionam através de três junções fundamentais.

  1. Nuca: junção da cabeça (ectoderme – PENSAMENTO) com a espinha (mesoderma – AÇÃO);
  1. Garganta: junção da cabeça (ectoderme – PENSAMENTO) com a barriga (endoderme – EMOÇÃO);
  1. Diafragma: junção da espinha (mesoderme – AÇÃO) com a barriga (endoderme – EMOÇÃO).

Por fim, resta saber que nessas junções podem existir bloqueios energéticos que gerarão padrões de ruptura.

  1. Nuca: Num caso extremo de bloqueio energético nessa junção, podemos encontrar dois padrões de comportamento de acordo com o local em que a energia fica retida. No caso da energia ficar retida acima da linha do pescoço, observamos um padrão de muito pensar (ectoderme – cabeça) e pouco agir (mesoderme – espinha), caracterizando o padrão de comportamento obsessivo-compulsivo. Já no caso da energia ficar retida abaixo da linha do pescoço, observaremos o oposto, ou seja, muita ação (mesoderme – espinha) sem pensar/refletir (ectoderme – cabeça), caracterizando padrão de comportamento impulsivo.
  1. Garganta: Se o bloqueio estiver nessa junção teremos uma ruptura entre o pensamento (ectoderme – cabeça) e a emoção (endoderme – barriga), variando entre sentir e não expressar, o famoso “engolir as emoções”, típico do padrão de comportamento masoquista, ao oposto que é expressar exageradamente, porém sem realmente entrar em contato com as emoções, típico do padrão histérico.
  1. Diafragma: Aqui temos o encontro entre a ação (mesoderme – espinha) e a emoção (endoderme – barriga). Segundo Boadella, quando o diagrama está tenso age como se estivesse amarrado à espinha e a mantém retesada, o que quebra a integração entre respiração e movimento (mesoderme – espinha). Poderemos observar o padrão rígido que se caracteriza pelos movimentos mecânicos e com pouca variação visível da respiração, e com pouca demonstração de emoção (endoderme – barriga). No outro padrão de ruptura, a pessoa aumenta o seu ritmo respiratório, normalmente em um estado de ansiedade crônica, mas não consegue transformar a energia mobilizada na respiração em movimento/ação.

Como podemos ver, duas das três junções se situam no pescoço: a nuca e a garganta. Mas o diafragma tem sua origem embrionária no pescoço.

O autor explica que, de forma análoga a esta divisão do corpo, as articulações dividem os membros em três regiões que podem ser consideradas a cabeça, o coração e a barriga de cada membro. Como, por exemplo, as mãos e o pés correspondem à “cabeça”; os antebraços e as pernas, ao “coração”; e, os braços e as coxas à “barriga”. Os pulsos e tornozelos são o “pescoço” dos braços e das pernas respectivamente. Isso explica porque quando o pescoço está tenso, os tornozelos e pulsos também estão tensos, por isso pode ser útil soltá-los para relaxar o pescoço no trabalho de desbloqueio energético.

Referências Bibliográficas

Boadella, D.- Correntes da Vida- Uma introdução à Biossíntese. São Paulo. Ed. Summus, Indrodução;p.10 e Cap.5;p.63-66,1992.

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Showing 2 comments
  • Ana Carolina Manechini
    Responder

    Que clareza de texto!
    O pescoço sempre apresenta tensões, também pudera com tanta “concentração” de funções… muito interessante o trabalho por outras vias, a partir das articulações dos punhos e tornozelos, para com suavidade chegarmos ao que seria mais difícil… e assim também trabalharíamos o diafragma? já que também ele seria um músculo que liga as sensações com a ação, amor e sexualidade…

  • Susana Zaniolo Scotton
    Responder

    Ficou muito rico o texto sim…Carol a conexão entre as camadas embriológicas permite a circulação do fluxo energético.Fazendo uma ligação das articulações, dos lugares em que o corpo se dobra, podemos pensar em tornozelo que flexiona pés em relação as pernas, pulso que flexiona as mãos em relação ao braço e o diafragma que flexiona o peito em relação a barriga. Articula a ação! Assim podemos trabalhar com as articulações para estimular o fluxo respiratório, incluindo o diafragma.

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